24 maio 2014

It happens


   No fundo, creio que ainda tenho de te agradecer por me abrires os olhos para esta verdade que por muito me recusei a ver. Afinal, apenas me fizeste ver que, queira ou não, eu sou aquilo que vejo cada vez que me olho ao espelho.
   Já não me conheço, reconheço, olho para mim como para aquele estranho com que me cruzaria na rua num dia qualquer. Aquele cruzamento insignificante, que depressa me esqueceria.
   Diz-me, sabes do que fizeste? Do quanto me custou a engolir e encarar esta verdade fria e nua? Pensava que tinha mudado, ou que estava a mudar, demonstraste-me apenas que continuo o mesmo. Que ainda sou aquela besta que tentei mudar, que todos os meus esforços foram em vão.
   Odeio-me, confesso que sim, e agora ainda mais por me ver incapaz de realizar tarefa tão fácil. Mas ainda assim, agradeço-te: tenho uma nova visão, empenhar-me-ei mais; agora, só a Morte me pára.

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