16 novembro 2016

esbarrando na realidade

   Apesar de todo o paleio de "mulheres isto" e "direitos aquilo", pelo menos aqui a aldeiazinha aterrorizada com a minha residência nela ainda é tacanha que se farta no que toca à conduta social que se espera de uma rapariga ou jovem mulher. No que toca a escolhas, sente-se muito aquelas idealogias bem liberais de século XIV a pesar-nos sobre a nossa decisão. Portanto fiquem com o top 5 de bitaites que uma pessoa houve ao cruzar a baixa ♥


1. Fizeram-te desconto pela falta de tecido?
   Começo por dizer que eu uso calças ragadas quando sou forçada a ter de usar um par da minha irmã •u• Mas Jasus, mesmo ela tem de levar com esta em cima! E quando falo em calças digo também blusas ~ Mas fiquem sabendo, senhores, que não, nunca a gente paga menos pela roupa por ter menos tecido: pagamos menos quando é da Sport Zone -- as boas e básicas t-shirts da Sport Zone. ♥


2. «Devagar se vai ao longe»
   Porque eu nem sei se era convenção social a menina andar a passo de lesma atropelada, mas eu não posso passar por um banco de jardim sem três ou quatro capitães me desatinarem com o meu passinho apressado eu a andar nas minhas perninhas curtas vou desembestada. Senhores, permitam a bagunça da minha vida que me faz ir atrasada para tudo quanto é lado •u•''''

3. Arranja calçado decente! / Cola-me esses chanatos!
Resultado de imagem para all star vintage tumblr   Aqui nem preciso de recuar às migas da minha avó! Aqui mesmo muitos dos meus amigos gajos defendem que menina devia era andar de salto alto e descer a calçada portuguesa com o equilíbrio de um cubo numa mesa alguns chegam a ter uma tara preocupante mesmo. Mas flores, nem é que eu não queira!, mas se eu de sapatilhas já me morro dos pés nem quero imaginar de saltos.

4. Essa idade e já tanto namorado?
   Porque eu não posso, repito: não posso sorrir a um gajo sem ele passar a ser automaticamente "meu namorado" eu também devia ter vergonha, a sorrir feita desavergonhada a tudo o que mexe pfff

5. Bonita é, mas seria mais sem o cigarro/ a pastilha/ a atitude/ o raio que parta que apetece implicar
   Agora nem falo só por mim porque eu fumar não é cruzando a baixa como quem passeia no Chiado, mas por todas as pessoas que eu vejo e conheço. Neste desterro do mundo, mulher não é mulher se não for submissa, rapariga não é rapariga se não for formatada. Opinião própria é vista como perigo, e deus nosso pai nos livre da irreverência de um espírito-livre!


   Enfim, por vezes numa sociedade que se diz desenvolvida e merecedora do século XXI, sinto-me marginalizada por não caber na formatação, por não vestir a preceito, por me sentar inconvenientemente numa esplanada a ler e a alargar horizonte em vez de contar os pontos no ponto-cruz. Não sou apologista de pôr de parte a transmissão de tarefas domésticas (como a cozinha, a lida da casa, ou os crochês e as malhas ♥), mas não defendo conversas de igualdade sem que a todos seja requerido isso mesmo; não tolero hipocrisia quanto à luta pela igualdade dos sexos quando ao homem ainda é banal que ele bata na esposa mas deus salve a pobre rapariga que arrotar num café: se vamos fazer de algo um tabu, que o seja para todos, e não apenas às pobres escravas da etiqueta e da finesse a que ainda se quer submeter as filhas e netas.



   E isto para não estalar em revolta pela desigualdade humana em si. Deixem-me ficar pelo Velho Continente ou isto dá pano para mangas. Resultado de imagem para stare.deviantart

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