14 agosto 2017

bruh

Por vezes paro, cansado de coisa nenhuma, e olho. Nunca me sinto tão estrangeiro como então: por novos instantes, as árvores não parecem as mesmas, as sombras parecem diferentes, as ruas surgem renovadas sob a luz limpa que resplandece na cal. O rumor do rio – nunca me soou tão cristalino. O grasnar das gaivotas confunde-se com o papaguear dos turistas. Sinto-me, enfim, enteado nesta terra que me permitiu no seu seio mas que não me viu nascer.
Das serranias distantes da paisagem chega-me uma aragem que me fala de casa. Casa: palavra maravilhosa que me enche os ouvidos de saudade. Casa é onde cresci e fui miúdo, casa é onde pernoitei nos meus anos dourados de inocência. Casa é onde guardei tudo o que de bom fui.
Este rio largo que rasga a minha madrasta não suplanta o ribeiro que me lavou as primeiras ideias. Estas casas caiadas, largas e alinhadas, não destronam os casinhotos alinhavados que eu visitei e corri e memorizei. Estes telhados de caniço e águas em nada suprimem o meu colmo, a minha tábua que me tolda o coração.
Sou estrangeiro porque assim o quero, sou estrangeiro quando me esqueço do que aqui me traz numa perpétua passagem. Sou estrangeiro, mas quero ser turista: já vi a paisagem, achei-a bonita – mas sinto que é hora de regressar ao meu lar.

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    GOOOOOOOOD MORNING VIETNAM!! Como vão as minhas lagostinhas suadas? :D não me levem a mal, mas este verão já não dá para senão isso Contem-me das vossas férias? Algarve, já cá vieram? Não? Óptimo!, não venham: o Levante bate-vos com o real calor na fronha e depois atira-vos ao chão com um poderoso vendaval -n- Mas sabem o que é melhor que o calor abafado do Levante?? É refugiar-nos dele numa copa! Isso sim, resolve o problema: da aridez do Sahara para a humidade tropical da Amazónia ♥ Fiz férias em meio mundo sem sair do Algarve, isto sim é de valor!
Mas querem saber uma coisa?


... estou de volta, biatches!!! 
(sim, era só isto. Se esperavam os números do Euromilhões dêem meia volta e consultem a tia Maia)
Tinha saudades! Saudades sobretudo porque escrever para o blog é símbolo dos meus tempos de ócio, e esses escasseam :') Sentia no fundo saudades de ter tempo para mim: tempo para ler o que quero, escrever o que quero, libertar-me como quero, formar-me como entendo. A minha educação tem sempre para mim um lugar prioritário, mas este ano abdiquei de mais que gostaria: para terem uma ideia, por altura do meu exame de Geometria Descritiva, estava tão sóbria que me dóia

bem ... não, nem por isso.

O que quero dizer é que, à custa dos exames, fiquei um bicho: saía uma vez por semana, o resto dos dias passei-os a marrar. E tanto marrei que me apeteceu explodir com o Secretariado Nacional de Exames quando:
anunciaram uma possível greve a incidir a 21 de junho (:
fizeram passar aqueles perfeitos exemplos de Arte Abstrata por perguntas de exame. Para terem uma noção: a última pergunta do exame de Filosofia? Era de opinião. Quanto valia? 30 pontos -- que é, como quem diz a brincar, 3 valores. Ahah. Ahahah. Ah.
Mas -- nem sei como! -- consegui não me baixar muito as médias (sim, agora stresso com médias. Descobri que não quero Artes para a minha vida.)

Terminado o Terror dos exames, decidi folgar por três dias, já que tinha por planos trabalhar em julho, e foi o que fiz: por um mês, buli numa copa. Importante será dizer que entrei para a copa, e saí dali como ajudante de cozinha. Bem bom. De início, repensei e decidi trabalhar até agosto, mas fazer entre 10 a 12 horas diárias com uma folga por semana não dá descanso nem tempo para estudar Nandinho Pessoa o que queria. Saí para agosto, e aqui estou.
Como sempre vos dei a entender, férias no algarve é muito engraçado para quem não é de cá: fui à praia uma vez, e jurei que nunca mais (água bem gelada, tempo bem estranho); fui ao Continente comprar Häagen-Dazs e fiquei um bom quarto de hora na fila das caixas automáticas. Bicho. Não. Resultado de imagem para stare.deviantart
O Verão para mim roja agora numa sobrevivência de passeios de bicicleta, tardes indolentes com o meu nortenho, leituras desmazeladas, escrevinhar e, sobretudo, suar em bica. Suar mesmo  m u i t o.


A propósito do que escrevinho por aqui e ali, comecei este post precisamente por um pensamento que me ocorreu um dia que cheguei demasiado cedo ao trabalho e, enquanto esperava, fitei a minha cidade com uma imparcialidade que me impressionou: vi-a bela não por ser minha, mas por a achar assim mesmo, e não me senti de cá ( já nos diz Bernardo Soares que «Analisar é ser estrangeiro»). Projectei-me então na visão de alguém que se viu acabar cá por obra do acaso sem que esse fosse o seu plano imaginei, em verdade, as saudades que via escritas nos olhos do meu avô quando falava da sua Beira Baixa e da sua aldeia.
Enfim, vocês lêem o que quiserem, e eu posto o que quiser. O blog é meu, eu é que mando nhenhenhenhe  u n u   mas tentarei ficar mais produtiva aqui no bicharoco! cortem-me o mindinho se não for capaz Agora é o 12º, a aventura continua .u. UP, UP, AND AWAY!
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